domingo, 29 de julho de 2012

Deixar-se acontecer com a vida

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E um dia ela acordou, olhou-se no espelho! Não gostou do que viu. Aparência abatida pelas horas que as lágrimas lhe fizeram companhia e inundaram o travesseiro. Passou a mão no rosto, como quem estivesse em ecstási.Depois deslizou as mãos pelas mechas do cabelo.Compassivamente e com os olhos apertados por conta da claridade, espiou o mundo que acontecia bem ali, do outro lado da janela. A vida cantava normalmente, o dia estava lá acontecendo.
Sorriu ao ver a brincadeira inocente das crianças, o andar despreocupado de um cachorro, possivelmente abandonado pelo dono, sem casa, comida, carinho... Viu as borboletas fazendo festas nas flores do jardim da casa logo em frente. As vozes animadas dos jovens contando as ultimas fofocas e marcando o melhor horario para o grupo de estudo se reunir, sem  que esquecessem da festa que haveria  a noite. 
Horas depois de olhar a vida com mais maturidade, saiu de casa e deixou-se acontecer como vida que era.
Vestiu-se como se sentia bem, sem se preocupar com tendencias ou moda. Ela tinha sua própria moda.
Arrumou o cabelo, deixando-os soltos.
No rosto, as cores suaves de sua maquiagem preferida.
Na alma, a certeza e que não queria viver uma morte em vida.
E ao final do dia constatou, pela primeira vez em muitos anos, tinha voltado a viver.
Deve ser isso uma ressurreição!
E aprendeu a viver a vida, amar a vida, em todos os tons, contrastes e acontecidos.


Cristina Lira



É possível

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E se desmistificaram os contos de grandes romances
Mas alguns sobraram guardados numa gaveta
Ainda insisto em acreditar
Que sempre é possível
Viver uma bela história, uma vida que não seja monótona
Uma vida onde não se tenha que bater o tal do arrependimento
Ou pensamentos do tipo: "Como gostaria de poder fazer isso"
" de ter feito tudo diferente"
Ainda insisto em acreditar que é possível
Estar no comando do roteiro de nossas vidas
Encenar as nossas cenas, ao invés de ceder a vaga para dublês
Sempre é possível poder querer:
Uma mudança;
Sair de uma situação que não nos faz crescer como individuo
Um amor que se possa chamar de "meu amor"
Resolver problemas, buscar soluções
Nunca se deve desmistificar todos os contos
Ou ignorar as fantasias que já coloriram tanto nosso mundo
Tudo que nos acontece contribui para que possamos evoluir
Para que possamos nos tornar alguem que diz:
É possível!

Cristina Lira



Cadeiras cativas

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Não somos escravos de nada
Apesar de muitas vezes nos sentirmos assim
Presos a algo, sujeitos a algo ou alguem
Somos  um conjunto de moléculas
Que se dispersarão no mundo
Quando nossos dias forem apenas uma lembrança

De nada somos escravos
E não devemos nos colocar nessa opção
Que por vezes é voluntária
Tem que se ter autonomia
Erguer a cabeça e pisar firme no chão
Não por escravidão, que antes tudo seja por amor

E existe uma imensa diferença entre as partes
Que compõem a liberdade da existência
E a que compõem as cadeiras cativas que sentamos.


Cristina Lira




Por um toque

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Puxo as cortinas
Sento numa cadeira diante do cenário
Dos cenários que quero rever
Hoje quero todas as cenas

E com um controle mental,
Passam-se todas, desde o inicio
Tantos momentos alegres
Tantos momentos exaustivos

E as imagens vão circulando em globo
E lá está...você!
Levanto da cadeira e estendo a mão em sua direção
Tentativa vão de te tocar

Minhas mãos transpassam a imagem
Que meus olhos projetam
Vinda de minha mente
Gravada em meu coração

E me curvo sobre mim
As imagens aceleram
Minhas lágrimas não secam
A falta que sinto de você, fere forte

Levanto, abro as janelas, afasto as cortinas
E o dia me fala de você
Seu sorriso, toca meu sorriso
E posso seguir...e sigo. Sempre te amando!


Cristina Lira