quinta-feira, 28 de junho de 2012

Corpos nus

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Eles estão de corpos nus
Pela justiça que não os veste
Jogados sozinhos, ao nada
Eles tremem de frio
Corpos mutilados
Cicatrizes grossas, escondidas pelas sombras
Eles sentem fome
E por vezes a comida não os sacia
Fome de verdade, paz e amor
De terem suas identidades devolvidas
Não são desgraçados
Aqueles que os discriminam, o são
Unem as mãos e as esfregam para se aquecerem
Uma bebida na tentativa de passar uma borracha na memória
Ah! Percursora dos pesadelos a noite.
Dormem molhados pela chuva
E pelas lágrimas vindas das dores da exclusão
Quem irá abraça-los?
Aquece-los no frio?
Quem?
A quem podem pedir socorro?
Eles querem gritar
Já recorreram aos desconhecidos e conhecidos
E fazem um pedido desesperado
Melhor seria a morte
Corpos nus, vestindo almas esperançosas!


Cristina Lira




Fique

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Hoje
Me ouça e fique comigo
Olhemos o céu juntos
Acompanhe meus passos
Se não tiver nada a dizer
Não fale
Ouça apenas
O silêncio da nossa companhia
Hoje
Me abraçe como se fosse
Me perder amanhã
Fique e contemplemos
Os sons da madrugada
Seja meu cobertor
Apenas fique
Como se nunca mais
Fosse ter em seus braços a minha presença!

Cristina Lira



Sim, te conheço!

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Sim! Criatura nova
Tudo mudado, tão de repente
Mas...quem é você que segura minha mão?
Já fomos apresentados?
Uma nova história se desenhando
Você sorri...
Eu já conheço seu sorriso?
Sim. Era você o tempo todo!
Eu me escondia atrás das árvores
Você me encontrava, sempre.
E hoje, escondida não mais atrás de árvores.
Mas de um presente desbotando
Então alguém chega, latas de tinta e pincéis nas mãos.
Eu te conheço?
Sim, era você o tempo todo
E antes que eu pudesse cair
Você me...sustentou...
Sim, te conheço...e amo isso...

Cristina Lira

 

Alta dose



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É meia-noite
As sombras falam
As paredes giram, desconexas ao redor
Nostalgia embriagante
A respiração desfalece?
O chão some dos pés
Agora sem gravidade alguma
E é meia-noite
E de repente não se tem mais noite
Não se tem mais nada
Mas ainda há um espelho a frente
Que aos poucos se parte
As cortinas das janelas balançam suavemente
Dançam ao som de uma brisa
E tudo gira, e é meia-noite
As sombras falam
Cada dose dessa nostalgia é demais


Cristina Lira




No íntimo do ser

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Olho para o tempo e para as pessoas pensando, algumas tão concentradas em sei mundo interior, que parecem verdadeiras estátuas de tão imóveis...  e por um momento até penso que são, pensamento este quebrado apenas pela respiração de seus corpos e pelos leves gestos que produzem sem ao menos perceberem. Apenas estão mergulhados no mais profundo do ser, e se lhes perguntassem o que acontece a sua volta, provavelmente não saberiam responder, de tanto que estiveram presas, ou talvez livres, em si.


Cristina Lira



Deixo no lugar

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Com os pensamentos livres, donos de mim. Me vejo como quem não tem saida, a não ser entrar nessa onda de pensar, rever, reler... cenas que passam como uma pelicula de filme bem a minha frente. E me divirto um pouco, até que me canso e tomo conta novamente da situação, e deixo estar no lugar exato tudo aquilo que não pode mover-se um centimetro se quer.

Cristina Lira