quinta-feira, 3 de maio de 2012

Aproximação



Pigarreei e disse:
- Não acredito em milagres.
Ele olhou para meu pescoço:
- Então, por que usa isso?
Levei a mão ao crucifixo.
- Normalmente, não o uso. Ao contrário de você. - Inclinei a cabeça para sua camisa aberta.
- Você se refere a isto? - Ele pescou o objeto que pendia de um fio de couro em seu pescoço. - Não é um crucifixo. Não preciso de crucifixos para acreditar em milagres.
Olhei para o pingente:
- Você usa uma bala?
Ele deu um sorriso irônico:
- Eu a chamo de carta de amor. O laudo chamou-a de fogo amigo. Muito amigo.
Parou a dois centímetros do meu coração.
- Caixa torácica forte.
- Parceiro forte. Essas balas são feitas para atravessar muitas pessoas. Esta aqui atravessou outra pessoa primeiro. - Ele a deixou escorregar de novo para dentro da camisa. - E, se eu não estivesse no Hospital, teria sido desfeito em pedaços. Portanto, parece que Deus sabe onde eu estou, mesmo que eu não use um crucifixo.

Anne Fortier
Livro Julieta