terça-feira, 14 de fevereiro de 2012

Indefinições de ser




Sim. 
Por que até mesmo o poeta que vive na companhia de seus versos se sente sozinho.
Tem vezes que estamos sozinhos de nós!
Por vezes eu me sinto sozinha de mim.
O escritor mergulhado em toda sua literatura também vaga pela casa, vai até a janela, e ver um infinito se abrir na sua frente sem retroceder. E também sente frio, sente medo. 
E nós, também vagamos de um lado para outro. E vozes nenhuma que se ouve, e silencio que enraiza e se apodera. A janela ou porta de repente parecem camarotes, onde se pode ficar sentado por horas e ver tudo ir passando adiante. O vento ganha forma, cheiro... 
A sala fica fria demais. Aos olhos vem uma sensibilidade estonteante. E você anda. Paredes que estão por todos os lados, ao menos uma vez desperta-se o desejo de poder não estar em lugar algum, ou se estar em algum lugar, longe de tudo que já é reconhecido aos olhos. 
Vontade de correr na velocidade da luz na terra, rompendo barreiras...vontade de... existir em você! E a cabeça da voltas, palavras que nascem enquanto outras morrem.
Não dá para ficar tanto tempo assim, por que logo nasce o desejo de que algo ou alguem nos tomasse pela mão e apenas sorrisse. Talvez assim voltasse aos lábios o sorriso perdido, que por hora se ignora, apenas se quer exercer o direito de não sorrir, de perder qualquer semblante de animo, apenas sorver o momento de indefinição ao qual se passa. 
O direito de sentir-se livre para deixar lágrimas rolarem, mesmo que depois venha o sorriso, mesmo que demore. Horas olhando o vago, soluçando por motivos ilógicos, mas que parecem ter tanto sentido no momento em que se efetiva. Sozinha de si, perdida do proprio eu. Leve como pluma, sangrando nas indefinições de uma sensibilidade incompreensivel.


Cristina Lira