domingo, 25 de setembro de 2011

Cartas ao mar



Estou jogando desejos ao tempo...
Desejos de que o mundo possa sorrir...e eu juntamente possa ser feliz.
Jogando cartas ao mar...deixando uma marca, ainda que ínfima, no tempo...na minha geração.

Cristina Lira



Arrevesamentos



E no auge parece despencar
Como quem sucumbi ao abismo
Emaranhando-se nos arranhões de um querer-se agarrar e nada ter
Arrevesamentos...de uma mente...de um instante...de uma vida
Gritos abafados em lágrimas contidas
Sorrisos desfarçados de uma alma dolorida
Regando os jardins
Fonte de água esquecida
Os pés vão ao encontro de espinhos
Mas a caminhada não é regredida
Ao contrário, enfrenta ainda mais forte
O que se vier a transpassar a vida
Vaso que quebra e derrama o perfume
A quem quizer sentir
Poe-se a varrer o caminho, como sempre fez
Para que passem os da vez
E rasga-se como tecido novo
E dolorosamente se costura, cada remendo uma pontada
Que transpassa do corpo a alma
Mas prossegue entre as primaveras
E igualmente acompanha as rotações e translações
Enche os pulmões com ar suficiente
Para prosseguir com vontade de viver
E detem-se quando olha uma leve borboleta a bater asas 
E entende, eis a vida um mistério...simples...


Cristina Lira



O Eu em Nós



As vezes, para nosso bem, é preciso que nos recolhamos em nós. Um momento de refúgio do mundo, e de encontro conosco. O parar para colher o orvalho que respinga do jardim de Deus, que há em nós. É bom vez ou outra desligar as tomadas na vida, e deixar-se recarregar, reanimar-se... Um momento entre o eu que há em nós e sempre fica para depois...reponha as energias, de nada adianta seguir como se transportasse uma carga de tonelada nos ombros. Fazer a faxina interior, mandar algumas coisas para a lixeira, outras para álbuns de recordação, rever alguns detalhes, reutilizar o que for possível...mas jamais se deixar lotar a ponto de sobrecarregar-se de pesos desnecessários. Leve...leve...assim esteja o nosso interior, para que assim também sejam nossos passos. Ouvir a voz que tine dentro de nós todos os dias, mas por vezes a abafamos e ignoramos por conta das vozes que nos tomam externamente. É preciso aprender a conversar com o nosso "eu"...

Cristina Lira