quarta-feira, 31 de agosto de 2011

Amarei-te




Amarei-te sempre, brilhe ou não o sol
Resplandeça ou se esqueça
O dia de surgir, fazendo acontecer à vida

Amarei-te na paz ou na guerra
Em meio a mais infinda alegria
Ou entre a mais rasgante tristeza

Amarei-te enquanto meus pés
Neste solo pisarem, te amarei ainda mais
Quando entre lápides frias, repousar o meu corpo

Amo-te e sempre amarei na falta de limites
Que rege meu amor incontido
Que nesta finitude que vivemos se declara eterno

Amarei-te na algazarra de nossas vozes animadas na conversa
E no silencio misterioso de nossas falas
Quando apenas nossos gestos dialogarem

Amarei-te com toda vida que escorre em meu coração
E amar-te-ei ainda quando ela escapar de minhas mãos
E nessa hora tudo que irei querer é tua doce e suave imagem impregnada em meus olhos

Amarei-te sob a luz incidente do sol e da lua
Sob as cobertas de nossas vidas nuas
“Na alegria, na tristeza, na saúde, na doença, na riqueza ou pobreza”... E além da morte!

Cristina Lira



Passos descompassados




Chego em casa, o silêncio me acompanha. Jogo as chaves sobre a mesa, respiro e sinto o silêncio, acomodo-me na solidão da tua ausência.
E com passos perdidos, me vejo no espelho..eu, apenas eu e minha companhia!
Quando tudo que queria, era você, mais perto, mais junto.
Deitada agora, nuvens de pensamentos alfinetam a solidão, e a saudade me mordisca. E é sempre um afundar-se em mim, chegar em casa e não te ver. Conforta-me saber que fazemos morada em nós, eu em teu coraçãoe e você no meu, e essa redoma de vidro que nos separa, um dia será quebrada.
E não mais chegarei em casa e me depararei com tua ausência, mas com você, meu porto de descanso, meu porto de amor...
Sem você apenas vago de um lado para o outro.
E apoiando meu rosto sobre minhas mãos, suspiro, enquanto um leve vento balança meus cabelos e me faz sorrir, de alguma forma inexplicável sei, você esteve aqui...

Cristina Lira