sábado, 19 de fevereiro de 2011

Coisas do caminho...



Estou olhando para tudo isso, e sinceramente nada me incomoda, nada me faz querer voltar atrás...estou pisando delicadamente nestas teias de aranha, posso ficar presa, mas não as quero danificar, enquanto por elas caminhar, embora possam me enlaçar.
E toda esta bagunça?
Sinceramente, nada me incomoda, não enquanto eu quiser caminhar, nesta estrada de ferros e espinhos, de flores e sábios pergaminhos. Apenas sei que toda esta bagunça não é minha, vou respeitando os espaços já ocupados, enquanto procuro o meu.
Os degraus, sempre um a um almejo pisar, não quero apenas caminhar sobre eles, mas também vou me sentar, limpa-los, dormir sobre eles, não tenho a menor pressa em saber onde esta escada vai me levar, o que me interessa é caminhar...
Caminhar nas teias que podem me enlaçar, nas estradas que posso me cortar e nos degraus dos quais posso cair.
Meu paradeiro? O dia derradeiro...
Vou entrar nas tempestades, mas não vou ser carregada por elas. Andarei debaixo da luz do sol, mas não me ofuscarei...
Respirar e tomar café, um bom  intervalo para repor energias.
Sentar e conversar com os amigos, um bom intervalo para alimentar a alma.
Ninguém caminha sozinho, deve ser por isso que a maioria dos caminhos são largos, para acomodar quantos quiserem caminhar, as estradas novas são estreitas, mas quando se caminha muito por elas logo se enlarguessem e todos sabem, aquele é um caminho..não se sabe se o certo, mas é uma alternativa.
Não se pode tentar adivinhar se as estradas são as certas e se as placas não foram mudadas, é melhor seguir adiante e se aventurar nas trilhas.
O medo? Um monstro que criamos dentro de nós, alimentamos, vestimos....e logo se revoltam e nos querem bloquear as pernas, as mãos, a mente, a voz... a dança..o riso..tudo que em nós causa a tal liberdade.
A verdade é que  jamais conheci nenhuma destas estradas...e o assustador, é que não há uma estrada certa pra seguir, pois a estrada certa sempre nos leva a algum lugar, e o lugar que queremos chegar não existe, pois todo lugar é certo...tudo é questão de olhar e saber passar.
Caminhe nas teias de aranha que podem te enlaçar, mas com passos delicados para não estraga-las.
Não se incomode em parar um instante, sente-se nos degraus que você estar subindo, olhe bem a escada, não tenha pressa de chegar a nenhum lugar, para não perder o sabor de estar a caminhar e as descobertas que só existem no meio do caminho.

Cristina Lira

Cantinho para dois



Um cantinho pra dois
Para aquecer o olhar
E deixar tudo pra depois

Um cantinho certo
Pra sorrir
E trocar afetos

Um cantinho pra se conversar
Qualquer coisa que se queira falar
Ou quem sabe apenas calar

Um cantinho pra sorrir como se quer
Para abraçar sem temer
Pra se fazer o que quiser

Um espaço pra dois
Pra abraçar e fazer carinho
Enquanto tudo fica pra depois...


Cristina lira




Gosto...

Gosto...
Deste teu jeito de sorrir
De como contas tuas histórias.
Do jeito perdido com que te metes nos assuntos
Do modo descontraido que usas para pensar

Gosto...
Das tuas palavras delicadas
Da segurança que o homem em você ergue no ar
Dos passos calculados
O modo como apoias o queixo sobre as mãos

Gosto...
Do gostar inesperado
Do sabor apreciável deste gostar
Até mesmo o jeans amarrotado
A camiseta solta ao ar... coisas bobas...
diante do olhar que faz gostar...

Cristina Lira