segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Os sacrificados

Desde que o mundo é mundo é comum escutarmos que alguem abandonou um bebê numa lata de lixo, num rio, em uma mata...e em lugares piores...(isto quando não abortam!)
São atitudes no minimo irresponsáveis, mas quem somos para julgar a atitude de alguém que não conhecemos o modo como vive e suas condições financeiras, inclusive.


Quais seriam os motivos para retirar a vida de alguém que não pediu para nascer? Ou de joga-lo por ai, como se soubesse caminhar com suas perninhas delicadas...
É dificil entender este tipo de comportamento.
E dificil ver como algumas mães (ou "mães") têm uma facilidade enorme de abandonarem esses anjos. Seres que aos primeiros instantes de vida já tem que se virarem sozinhos.
Engraçado...como se bebês  conseguissem dizer que parte do corpo dói, que sente fome...ou mesmo gritar socorro, em caso de emergência.
Todos somos livres para fazermos escolhas, mas nossos atos devem ser pensados e repensados para que não matemos vidas só para que possamos viver, ou por não querer carregar o peso de carregar vidas... ( se é que podemos considerar vidas um peso).
Aos que querem abandonar esses seres indefesos, ao menos os deixem em braços que possam envolve-los, não os entregem ao vazio, não os joguem dentro de sacos plásticos para que morram sem ar, não os deixem nas matas para serem devorados por feras, não os deixem rolando sobre o que restou de um parto...ou melhor, não os tragam ao mundo se não querem ama-los...Cristina Lira

Folhas de um diário




23 de Agosto de 1957

Querido diário, me desperta a esperança de viver longos dias, mas toda essa tristeza quer garantir-me do contrário. Hoje fui a casa da minha amiga, a Irla, aquela que disse que você era velho demais, lembra? E tudo lá parecia tão feliz...parecia. E aqui ao contrário, nem se quer parece...pra que servem os sentimentos se eles não são levados em conta? Eles nem sabem brincar de casinha direito, se eles me dessem uma chance, eu iria ensina-los, talvez eles tenham  esquecido...essa gente grande, porque será que eles querem a gente pequena? Eles não se entendem e a gente sofre...Qual será a diferença entre um lugar onde os sentimentos são desprezados e um túmulo, onde os sentimentos não existem? Querido diário, hoje poderia ter sido especial, gostaria que fosse especial, mas não depende de mim, a alegria que quero sentir não depende em nada de mim, e isso é péssimo. Me sinto como uma das bonecas do meu quarto, como a tita ou a lila, eu as pego e deixo onde quero e posso esquece-las em qualquer lugar. Ah! Mas bonecas não tem sentimentos, diário! Já eu, eu os tenho, e tenho todos, e sinto, e sinto muito... 

Pensamento de uma criança de 12 anos que desde os 8 escrevia em um velho caderno de sua avó, o qual chamava de diário...dizem que morreu de tristeza meses depois de escrever esse depoimento, e ela só queria ser feliz, mas de tanto ver os que a cercavam cúmplices da tristeza, ela perdeu aos poucos a esperança de viver e se deixou abater!!!
C.Lira

Ingênuo frio...


A porta aberta...
E este frio entrando como se fosse convidado.
E congela os pratos sobre a mesa.
E congela a muitos em volta, num silêncio orante.
E não passo despercebida deste tal frio que parece sugar a respiração.
E em sua tentativa de me congelar, começo a rir da sua ingenuidade.
Pobre frio!
Esqueceu que eu tenho um coração?
E ele me aquece...

C.Lira

Meu grande mistério...eu!




No decorrer do dia, nos deparamos com diversas situações. Momentos que nos fazem sorrir, outros que nos fazem chorar, num silêncio que é só nosso. 
Mas  precisamos, diante de tudo que nos acontece, adquirir um espírito guerreiro, capaz de vibrar nas alegrias e superar com vitória a guerra dos lamentos que nos aprisionam.
Dentro de nós há uma força que precisa ser alimentada. Tudo que necessitamos está em nós. Temos que descobrir nossas limitações, e ir bem mais além, buscando no interior as armas para conquistar o infinito ( ou o que para nós signifique infinito)...
Só que antes de tomar qualquer atitude, precisamos nos descobrir, fazendo-nos uma simples pergunta: QUEM SOU EU?
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O ponto de partida para compreender o mundo e o nosso próximo está na capacidade que temos de primeiro nos conhecermos, de nos amarmos, de nos querer bem...ai saberemos a dose certa para agir com o outro, e entenderemos que todos tem um espaço próprio que quando invadido causa muito estrago. Não adianta nada tentar entender as coisas ao seu redor se você não se conhece, se não nos conhecemos...
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C.Lira - Que todos tenham uma otima semana!!!


Perfume do tempo


Adoro parar no tempo
e sentir o perfume do vento,
que em certos momentos
muda de fragância.

C.lira