sábado, 8 de janeiro de 2011

Recordando...Aquarela - Música



Numa folha qualquer
Eu desenho um sol amarelo
E com cinco ou seis retas
É fácil fazer um castelo...



Corro o lápis em torno
Da mão e me dou uma luva
E se faço chover
Com dois riscos
Tenho um guarda-chuva...


Se um pinguinho de tinta
Cai num pedacinho
Azul do papel
Num instante imagino
Uma linda gaivota
A voar no céu...
Vai voando
Contornando a imensa
Curva Norte e Sul
Vou com ela
Viajando Havaí
Pequim ou Istambul




Numa folha qualquer
Eu desenho um navio
De partida
Com alguns bons amigos
Bebendo de bem com a vida...
De uma América a outra
Eu consigo passar num segundo
Giro um simples compasso
E num círculo eu faço o mundo...

 
Um menino caminha
E caminhando chega no muro
E ali logo em frente
A esperar pela gente
O futuro está...

E o futuro é uma astronave
Que tentamos pilotar
Não tem tempo, nem piedade
Nem tem hora de chegar
Sem pedir licença
Muda a nossa vida
E depois convida
A rir ou chorar...

Nessa estrada não nos cabe
Conhecer ou ver o que virá

O fim dela ninguém sabe
Bem ao certo onde vai dar
Vamos todos
Numa linda passarela
De uma aquarela
Que um dia enfim
Descolorirá...

Numa folha qualquer
Eu desenho um sol amarelo...



P.S.: Podemos colorir nossa vida, e se ela descolorir, podemos ser ousados e fazer todo o trabalho de novo, ou viver em preto e branco... Cristina Lira

Saudades do perfume da minha avó



Lembro das histórias que ela contava, meu Deus, como eram legais. E como era bonito seu jeito distraído de repeti-las. Nunca encontrei contos iguais em nenhum livro do mundo, talvez deveriam ouvir mais as avós, teríamos Histórias menos violentas por ai...
Não estou aqui pra falar dos contos dela, mas do perfume da minha avó Celina, do perfume inesquecivel que ela tinha.
Ela tinha cheiro de chuva.
Não de qualquer chuva, mas daquelas que caem na terra seca e na mata quente, exalando o perfume das ervas, aquelas que nos fazem dizer: "Hum!!!Cheirinho de chuva...!"
Tinha cheiro de bondade, amor, sabedoria, paz... não sei se esses sentimentos tem cheiro, mas minha avó tinha um perfume que me lembrava esses sentimentos.
Hoje que ela não está mais aqui, parece até que ela me presenteia mesmo de longe, quando sinto os perfumes que me fazem lembrar dela, e da mulher apaixonante que era.
Meu DEUS, quem me dera ser igual a ela.
Que saudades eu tenho
da minha avozinha,
da senhora de tudo,
da minha santinha
Saudades do perfume que ela tinha
Minha doce Celina.

Em memória de
Jucelina Pires de Alencar
Vovó Celina
Por Cristina Lira