Sapatos na bolsa






Terminou o ensaio antes do previsto, guardou na mochila os sapatos que a deixavam leve, sentia-se tal qual pena. Jogou a mochila num dos ombros e seguiu, a principio como quem tem hora marcada, mas antes da metade do caminho, uma profusão de pensamentos sobressaltou de sua mente.
Agora sem um lugar certo, apenas andava. Enquanto sua mente projetava um verdadeiro filme de ação diante de seus olhos... sua vida!
Carregava no seu ser tantas marcas que se perguntava sobre a sabedoria de ter tanto dentro de si, mas o mundo só conhecer o superficial. E isso é comum a todos, a todo tipo de gente...
E como quem desperta de um leve sono, aos sustos, aprumou-se no caminho, sacudiu a cabeça, prendeu os cabelos, e com um leve suspirar sorriu cinicamente para o mundo, ou talvez, para si. Num relance, fechou e abriu os olhos, e pensou: Tenho um mundo tão grande dentro de mim, ora paz, ora em guerras e conflitos constantes. Lugares só meus, que por mais que eu queira não saberia dizer aos outros de tudo que carrego aqui...meu mundo em guerra, agitado, uma confusão... e no entanto, tudo aqui fora tão normal!!!
Ninguém nunca saberá o que se passa aqui, se eu não falar ali... mas por enquanto é melhor deixar os " sapatos na bolsa"...

E no caminho das avenidas ela seguiu, sua imagem logo misturando-se aos demais, que provavelmente também seguiam monologando...

Cristina Lira


Comentários

  1. Nunca deixamos de pensar. Seguimos falando.
    Gostei desta crônica.
    Um beijo grande

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  2. CARINHOSAMENTE VENHO DESEJAR UM FELIZ E ABENÇOADO FINAL DE SEMANA BJS NO CORAÇÃO.
    EVANIR

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  3. É das conversas mais proveitosas: aquela que só dividimos connosco!
    Não precisamos pedir segredo, ninguem nos contraria!...
    Voltando agora à parte séria, está muito bem escrito o seu trabalho! Parabéns
    Beijo

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  4. Cris! Bacana demais. Belíssimas palavras para dizer sobre o consciente e o inconsciente. Beijos!

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  5. Cristina, muito inspirada a sua postagem. O que mais gostei é que se a gente quiser "brincar" um pouco com a cabeça, é só inverter as situações. Passar a calma exterior para dentro de nossa cabeça!
    Valeu. Adorei a postagem.
    Beijos no seu coração.
    Manoel.

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  6. Acredito que todos fazem isso, mas como estamos vivendo nosso monólogo, não percebemos. Ficamos com os olhos dançando entre o interior e o exterior, na insegurança da exposição real de sentimentos.

    Bjs.

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  7. Muito bom como sempre!
    Essa voz do inconsciente-consciente que nunca se cala!
    bjus

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  8. Olá,
    Parabéns pelo blog! Estou seguindo.
    Segue lá também..

    http://estanteseletiva.blogspot.com/

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