terça-feira, 4 de outubro de 2011

Horas vagas


Doce mistério esse das horas vazias.
O som do tic-tac do relógio fica audível como uma construção em desmoronamento
O assobio do vento em suas curvas por entre muros,
e o farfalhar das folhas nas copas das árvores e o seu tinir áspero ao cair no chão.
Doce mistério esse das horas vazias.
Calam-se as vozes, emudecem-se os timbres, o pensamento agora tem som.
Vazio das horas, onde se ouve os batimentos cardíacos e a própria expiração, e a tão leve inspiração. 
Inspiração do ar e da alma.
E o frio percorre o corpo congelando os movimentos, paralizando o olhar. Nenhum gesto, nenhum movimento, apenas uma sincronia estonteante de sons.

Cristina Lira


Um comentário:

  1. Lindo demais...
    No cair das horas, o corpo fica preguiçoso...
    Bjos achocolatados

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