domingo, 25 de setembro de 2011

Arrevesamentos



E no auge parece despencar
Como quem sucumbi ao abismo
Emaranhando-se nos arranhões de um querer-se agarrar e nada ter
Arrevesamentos...de uma mente...de um instante...de uma vida
Gritos abafados em lágrimas contidas
Sorrisos desfarçados de uma alma dolorida
Regando os jardins
Fonte de água esquecida
Os pés vão ao encontro de espinhos
Mas a caminhada não é regredida
Ao contrário, enfrenta ainda mais forte
O que se vier a transpassar a vida
Vaso que quebra e derrama o perfume
A quem quizer sentir
Poe-se a varrer o caminho, como sempre fez
Para que passem os da vez
E rasga-se como tecido novo
E dolorosamente se costura, cada remendo uma pontada
Que transpassa do corpo a alma
Mas prossegue entre as primaveras
E igualmente acompanha as rotações e translações
Enche os pulmões com ar suficiente
Para prosseguir com vontade de viver
E detem-se quando olha uma leve borboleta a bater asas 
E entende, eis a vida um mistério...simples...


Cristina Lira



Um comentário:

  1. Parabens pelas poesias. Lindo cantinho o seu...berlos textos e belas fotos.

    Abraços.

    ResponderExcluir