Rascunho de um Diário


Ainda está aqui comigo o calor do teu abraço. O perfume da sua pele. As lágrimas que jorram de mim são os últimos vestígios da minha alma se esvaindo. Era manhã, o sol estava lindo como nunca esteve antes, acordamos, tomamos o nosso café amargo, ao nosso gosto. Planejamos cada passo e cada lugar a ser visitado naquela rota de excursão. Giramos a chave na fechadura entretidos com o panfleto riquíssimo em anúncios. Descemos as escadas como duas crianças disputando o quem chega primeiro!
A rua estava convidativa, animada e agitada, pelas cores e sabores da região. Pegamos o trem das nove, desembarcamos na estação seguinte e paramos admirados com a beleza de uma velha e antiga casa lendária, o museu, o único museu daquele pequeno lugar.
Um dia perfeito, para se guardar na memória.
Na volta a vida tratou de nos embarcar em caminhos diferentes. Meus braços foram teu ultimo aconchego, caistes sobre eles a leves e imperceptiveis suspiros. E toda aquela estação lotada nos olhavam assombrados, enquanto eu te sacudia e te obrigava a retornar a vida comigo, aos gritos, aos prantos. As cores foram desbotando aos poucos, logo vozes e imagens se confundiram a minha volta, gritei até minha voz cortar, te chamei de volta, torcendo para que os anjos falassem com Deus e te mandassem de volta pra mim. Suas mãos gélidas, sua expressão de riso imóvel...como quis ter partido contigo naquele dia. Braços me agarravam e me separavam de ti, vozes tentavam me acalmar...não, a unica coisa que eu não queria era me acalmar, não queria me se sentir consolada...queria chorar toda dor da tua ausencia repentina. Mas acima do ceu que vejo, acredito que estas a me ver.
Toda fé, toda calma, todo amor, toda energia que você me passou, estas sim são eternas. Estamos seguindo nossa viajem. Há uma estação onde desembarcaremos juntos.

Setembro de 1999

Cristina Lira




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