segunda-feira, 24 de janeiro de 2011

Folhas de um diário




23 de Agosto de 1957

Querido diário, me desperta a esperança de viver longos dias, mas toda essa tristeza quer garantir-me do contrário. Hoje fui a casa da minha amiga, a Irla, aquela que disse que você era velho demais, lembra? E tudo lá parecia tão feliz...parecia. E aqui ao contrário, nem se quer parece...pra que servem os sentimentos se eles não são levados em conta? Eles nem sabem brincar de casinha direito, se eles me dessem uma chance, eu iria ensina-los, talvez eles tenham  esquecido...essa gente grande, porque será que eles querem a gente pequena? Eles não se entendem e a gente sofre...Qual será a diferença entre um lugar onde os sentimentos são desprezados e um túmulo, onde os sentimentos não existem? Querido diário, hoje poderia ter sido especial, gostaria que fosse especial, mas não depende de mim, a alegria que quero sentir não depende em nada de mim, e isso é péssimo. Me sinto como uma das bonecas do meu quarto, como a tita ou a lila, eu as pego e deixo onde quero e posso esquece-las em qualquer lugar. Ah! Mas bonecas não tem sentimentos, diário! Já eu, eu os tenho, e tenho todos, e sinto, e sinto muito... 

Pensamento de uma criança de 12 anos que desde os 8 escrevia em um velho caderno de sua avó, o qual chamava de diário...dizem que morreu de tristeza meses depois de escrever esse depoimento, e ela só queria ser feliz, mas de tanto ver os que a cercavam cúmplices da tristeza, ela perdeu aos poucos a esperança de viver e se deixou abater!!!
C.Lira

4 comentários:

  1. Querida Cristina,

    Essa sua publicação me provocou sentimentos tão intensos e turbulentos que nesse exato momento, após o t´reemino da leitura, só consigo expressar o meu silêncio... Obrigado por esse momento! Luz e Paz!

    Semana VIVA para você!

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  2. Não há o que agradecer querido WHESLEY, obrigada por sua presença amiga...
    Bjos no coração!

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