quarta-feira, 3 de novembro de 2010

De Fernando Pessoa

Quem quer dizer o que sente

Não sabe o que há de dizer.

Fala: parece que mente
Cala: parece esquecer

Ilusão

Odeio toda essa ilusão ordinária
que me faz padecer nesta cova folgada
tanto espaço ao meu lado
e minha mente por pensares lotada

Pensamentos que me infernizam a cabeça
por uma ilusão e nada mais
como me irrita tanta incerteza
de tantos tolos pensares sem algo a mais... Cristina Lira

Coisas


Por Cristina Lira

E risco os rabisco que riscam minha mente
Traço os traçados que traçam meus pensamentos
Na imaginação imagino tantas coisas
Risco
Traço
Imagino
Apago as linhas tortas e curvosas
As retas também as apago
É puramente torto meu traçado
E faço um desenho com traços que imagino
de repente produzo coisas, apenas coisas
que penso ser algo mas não é nada.
E risco os rabiscos e traço os traçados

C. lira

Na sacada


Por onde andas deixando teu rastro
Em que esquina espalhas teu perfume
E se não se encontrarem mais nossos passos
Mergulharei num triste betume

Tua ausência amado me deixa a pele ressecada
E por noites tenho me contido para não sair desta sacada
procurando entre mil faces a tua  face amada
mas o medo de que voltes e não me encontres me faz ficar parada

Neste lugar te espero com coração angustiado
E as horas são severas e se riem de mim
O tempo fica diferente um caos estiado
Não me importa quanto tempo demore ficarei até o fim. Cristina Lira

Culto a alegria




Te exalto doce alegria que enaltece minha alma
e que arqueia sorrisos involuntários em minha face
Me possua de uma forma que seja pra sempre.
És como uma forte droga de efeito imediato
difundindo-se em cada parte do meu ser
Rendo um culto a esta alegria que me dá prazer
e que dissipa esse céu negro da minha frente.
Estremeço a esmo
por tanta alegria que explode em mim.
C. lira

Assim...por acaso




Todas aquelas sombras nos envolviam.
Um ambiente triste, enebriante e penumbroso.
Pessoas de olhos fechados fazendo suas orações, e bem próximo a mim, você.
Mãos ao rosto, descomposto e de pernas curvadas ao tempo, como se quisesse conhecer as profundezas da obscuridade da terra. Estive por todo tempo desconcentrada pela sua presença, que talvez de propósito chamava minha atenção.
Um toque foi o suficiente para que erguesses teus braços em minha direção, acalentando tuas dores sobre minha alma. Te acolhi em meu colo e afaguei tuas lágrimas, ao passo que o perfume de tua pele fixava-se a minha.
E desabafastes toda angústia que carregava no peito e aos teus olhos me tornei algo mais naquele encontro casual. E antes que me afastasse dos teus olhos me iluminastes com um amuleto, dizendo ser um presente. E este estava embriagado pelo perfume do teu corpo, e tudo para que a gentileza daquele momento podesse ser lembrada.
Não sei se por acaso, ou por armadilha do tempo, mas ao tocar um desconhecido tive um encontro em novembro.
Cristina Lira