segunda-feira, 6 de dezembro de 2010

Prodigioso encantamento



Jaz em mim toda melancolia.
Dentro, em mim,
eis um jazigo.
Sepulto dentro de mim
meu "eu" que antes tremia.
E lá ao longe o fundente
a alguns passos da fundura.
Meu olhar funéreo te alcança
Porque me vês tão funesta!
E tomas um livro pressagioso
lá escondes os olhos pela metade
ressumando desejo em mim.
Eis um sepultar ressurreto.
Penso que aos poucos desfaleço,
e ressuscito se te vejo.
Quebrantando-me toda vez
que me diriges o olhar ofuscando-me
E em meio as penumbras, te tenho,
prodigioso encantamento, como meu maior motete.
C.Lira

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