sábado, 16 de outubro de 2010

...tentativa de fuga

Afastem-se o medo e o horror que me impedem de tentar. Afastem-se todos vocês que insistem em dizer que não vou conseguir, que não sou capaz.
Não me transformem em alguem que não sou. Não me leve a sério demais, mas também não ria de mim. Carrego dores tão sofridas, minha pele está marcada por cicatrizes, que me continuam a ferir. Meu ser está desfigurado e meu caminhar já é demais torto.
Portanto, não queiram que eu tenha um jeito que lhes agradem, não vou me sacrificar mais para vê-los sorrir.
Não me toquem, não me persigam. Apenas me deixem viver e não se importem com meus dias.
Meu corpo ainda em vida apodrece, pelas energias que chegam e acidificam meu ser. Neste mundo de vida onde mal se pode viver como se quer, onde do honorável ao miséravel, todos somos como que expiões. Infortúnios no sopro de vida dos outros e o nosso próprio sopro perdemos aos poucos.
Afastem-se todos e deixem-me respirar o ar que sobe da terra depois do sereno da tarde.
Afastem-se, abram espaço, para que eu possa aprender a andar.
Fechem seus olhos, pois tenho pesadelos com eles, por me perseguirem todos os dias, noites e madrugadas.
Afastem-se pessimistas, meu otimismo quer passar! (C. Lira)

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