Prisioneiro



Estava acorrentado, e as correntes lhe feriam os pés e as mãos, que sangravam por cima de algumas cicatrizes antigas.
Seus cabelos já haviam perdido o brilho e estava empoeirado por conta do ar poluído por partículas de terra que caiam do teto toda vez que ele gemia. Seu sofrimento era compartilhado com alguns animais e insetos que insistiam em fazer companhia enquanto vida ele tinha e esperavam talvez sua morte para devorá-lo.
Água e comida de forma desregrada e nem todos os dias. E no ombro a pele recobria o ferimento provocado por uma arma cortante, este um tanto infeccionado e de odor forte, que por vezes atraia alguns organismos aproveitadores.
Quem o colocara ali? Por quê? Perguntas que nunca terão respostas. Na parede a sua frente um foco de luz muito pequeno lhe avisava quando o sol nascia. O seu cárcere aos poucos se transformava em um tumulo: vazio, frio, sem luz, sufocante...
Assim vivem as pessoas que só enxergam os problemas, as desilusões e as lagrimas da vida, que apenas se lamentam e se negam ao direito de sorrir e não buscam métodos de resolverem, soluções. São prisioneiras de si mesmas e só podem ser libertas pelo nascimento ou renascimento de sentimentos e atitudes simples.
Porque às vezes nos é necessário olhar o que de mais simples temos a nossa volta, e estas coisas simples na maioria das vezes têm tantos atrativos... Mas por estarmos presos, acorrentados e sangrando deixamos passar despercebidos. É o foco de luz que nos é mostrado e não conseguimos dirigir o olhar para a fresta de onde vem esse foco, algo simples, a saída.
Cristina Lira

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