domingo, 17 de outubro de 2010

Dor que santifica


Que compaixão sinto das pobres pessoas que tratam um enfermo com discriminação e repugnância. Que pequeno é o coração daqueles que não sabem tratar das feridas dos outros e acalentar o choro de dor de alguém que sofre.
O sofrimento de uma enfermidade faz jorrar lágrimas que horas parecem ser de sangue, faz-nos chorar involuntariamente e torna-nos sensíveis ao extremo. Mas nem a dor de uma enfermidade é tão grande quanto o olhar exclusivo de almas pequenas e insensatas. Que produzem palavras que cortam mais que gumes de uma faca e ferem mais que qualquer tipo de arma mortal que possa existir.
Mas parte de toda dor pode ser suavizada pela compreensão e dedicação daqueles que com carinho limpam nossas feridas, cuidam das cicatrizes. E por tanta bondade também se chora. Chora-se, e essas lágrimas não ardem, mas saram por onde passam, e nos dão a certeza de que somos especiais. E não é um mal estado na vida ou um olhar incompreensível, e por vezes insensível, que vai nos tomar o direito de sorrir, embora possa nos abater, mas não nos ferir ou destruir.
Nenhum sofrimento é eterno, embora que no momento em que acontece possa assim parecê-lo. 
(Cristina Lira)

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