domingo, 17 de outubro de 2010

A busca

E caminhando por cima de todos esses incômodos, sigo. Como se soubesse que o prêmio para essa estrada de espinhos estivesse logo ali. Mas ao passo que me aproximo, mas distante vejo de mim o fim dessa jornada que parece se alongar a cada passada. Não é justo que os caminhos e a terra que cultivei possa estar assim, e agora, sem chão, caminho vagando nas estradas, a espera que a jornada termine logo.
E ao passo que me aproximo tudo parece cada vez mais distante, e ergo minha mão, à minha frente apenas o vazio. Minhas vestes surradas pelo tempo de viajante carrega cada grão de poeira, os vestigios de tudo que vivi. Em mim o cansaço expresso nas curvas que o tempo desenhou no meu rosto e em meu peito guardada a esperança de chegar no fim dessa jornada onde sei que vou encontrar o descanso, mas se toda vez que me aproximo se afasta, me faz caminhar ainda mais, embora o cansaço já seja avançado, vou dar um passo a mais nessa direção. Porque sei perfeitamente tudo que me espera bem a frente...logo ali...apenas mai um passo. Sei que estou sempre perto, e talvez nunca chegue, mas não diminuirei o ritmo nesta busca. Bem sei o que encontrarei, e quando estender minhas mãos novamente encontrarei as que segurarão as minhas, e se o tempo me vencer, pelo menos ficarão meus rastros e a poeira, meu vestigio, e saberão (saberá) que sempre estive por perto. Cristina Lira

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